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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

BRINCANDO NOS CAMPOS DO PRÉ-SAL

BRINCANDO NOS CAMPOS DO PRÉ-SAL
Ópera bufa em 3 atos.
ABERTURA
Ninguem mais que pense seriamente sobre o assunto acredita no retorno da Petrobras às mãos de políticos inexperientes e velhos gagás que já perderam o contato com a vida moderna. Configurada a vitória, Lula e Dilma já devem estar pensando em como se livrar das incômodas “cracas” aderentes ao casco do grande navio.

O presidente, inteligente como é, Já poderia se desvencilhar das incômodas companhias ideológicas e direcionar sua pupila para evitar maiores devaneios. O que mais deseja é vingar de FHC pelo sucesso alcançado na privatização em 1998 e realizar o feito de ter uma empresa multinacional, acima do estado, com cobertura do estado, como operadora única nos novos campos do pré-sal: quer ser “mais realista que o próprio rei”.

O que interessa no momento é a empreza receber dinheiro vivo de acionistas para acelerar a produção de petróleo e gas de áreas já delimitadas.

Uma vez consumado o efeito eleitoral e garantida a eleição no 1º turno, o governo já poderia — mesmo antes de 30 de setembro — fechar acordo com a Petrobras em torno do valor que será utilizado na cessão onerosa dos 5 bilhões de barris, cujo preço poderá será “negociado” no entorno de 6 dólares o barril. Mais uma bandeira roubada da oposição que não soube defendê-la publicamente.
Mas, o presidente não é nenhum ser ideológico. Antes de tudo é um “caudilho sindicalista”, forjado nas lutas trabalhistas da indústria automotiva, como força auxiliar da transição, de maneira semelhante aos seus colegas americanos, que jamais puseram em cheque a verdadeira empresa capitalista.
Mas, prevalece o interesse de vencer as eleições e o velho instinto pragmático de “Robin Wood”, protetor dos pobres e oprimidos, cujos interesses tem por meta defender. Vai re-estatizar empresas privatizadas (Petrobras, Eletrobrás, Telebrás), como tem prometido, porque é delas que vem os impostos necessários à distribuição (forçada) de renda é nelas que estarão os cargos a serem preenchido pela “cupinchada”.
* Quem quer, vai. Quem não quer, manda. O presidente não faz questão de um preço menor, em torno de 6 US$/barril, mas não quer desagradar nacionalistas declarando isso. O sucesso eleitoral está garantido, mas o fiasco do lançamento permanece. Tem pressa na capitalização para evitar o desgaste com a queda das ações da Petrobras no mercado que hoje, atingiram mais de 4% e já deve passar de 30% desde janeiro,


1º Ato: (DES) CAPITALIZAÇÃO DA PETROBRAS
Apesar de ser um erro realizar a capitalização no dia 30 de setembro, como afirma Adriano Pires, o governo poderia fazê-lo, para surpresa de muitos.
Uma vez configurada a vitória no 1º turno — antes mesmo que termine o prazo de 30 de setembro — o presidente pode causar surpreza: aceita um acordo bem próximo da avaliação da petrobras para evitar perdas maiores das ações da Petrobras, diante da desconfiança de investidores de maior estatização da Petrobras.

Já pode desvencilhar das incômodas companhias ideológicas e direcionar sua pupila para evitar maiores devaneios. O que mais deseja é vingar de FHC pelo sucesso alcançado na privatização em 1998 e realizar o feito de ter uma empresa multinacional com cobertura do estado, como operadora única nos novos campos do pré-sal.

O que interessa no momento é a empreza receber dinheiro vivo de acionistas para acelerar a produção de petróleo e gas de áreas já delimitadas.

Uma vez consumado o efeito eleitoral e garantida a eleição no 1º turno, o governo já pode — mesmo antes de 30 de setembro — fechar acordo com a Petrobras em torno do valor que será utilizado na cessão onerosa dos 5 bilhões de barris, cujo preço poderá será “negociado” no entorno de 6 dólares o barril. Mais uma bandeira roubada da oposição que não soube defendê-la publicamente.

O presidente não hesitaria em em fazer acordo — mesmo a custa do contribuinte — porque sabe perfeitamente que precisará da participação do capital extrangeiro para levar a cabo a difícil empreitada da exploração do Pre-sal. Sabe que a Petrobras não tem recurso suficiente para iniciar a exploração de áreas ja perfeitamente delimitadas e seguras.
Ao conceder privilégio aos acionistas privados — à custa do contribuinte — o presidente está seguro de atrair capitais do mundo todo para exploração de áreas já delimitadas. Em áreas ainda não licitadas do pré-sal tem amplas condições de manobra na condição de operadora única (mínimo de 30%), cuja exploração menos interessante nada impede que seja entregue a outras empresas.

A Petrobras, que já é uma empresa multinacional acima do estado, tem a propriedade singular de ser tambem estatal. Apesar de minoritário no cômputo geral, o estado controla a empresa pela maioria de ações com direito a voto. Se a empresa se capitalizar a união (nós) vai ter aportar recursos para manter ao menos a condição de controlador.

Para a Petrobras não poderia ser melhor: uma empresa (que já é) multinacional, acima do estado, controlada pelo estado com poder de associar ou delegar a outras empresas multinacionais campos menos interessantes do futuro Pré-sal.

Ao fazer isso nos últimos três meses de governo, o presidente estaria delimitando os primeiros passos de sua pupila contra possíveis devaneios, bem como se vingando de FHC pelo grande sucesso alcançado na privatização da Petrobras em 1998. É tudo que o presidente poderia almejar:
“administrar uma empresa multinacional garantida pelo estado, como as chinesas, com um mínimo de participação acionaria com poder de voto (32.7%)”.



2º Ato: CAPITALIZAÇÃO DA PETROBRAS

O Brasil não é nenhuma empresa imobiliária que precise ter a posse de seus recursos naturais. Já os tem tem em abundância, cuja posse é consagrada pela constitucão.
“O mercado de petróleo e a própria Petrobras já são suficientemente atraentes para a captação de recursos privados, não sendo necessário o governo capitalizar a empresa com recursos públicos. Melhor seria utilizar os instrumentos tradicionais do mercado de capitais para que a população venha a investir na Petrobras” (Adriano Pires).
A capitalização da Petrobras é uma operação financeira normal no mercado, mas fica mais atraente ainda se contar com a proteção do estado. Especialmente recursos públicos, em particular de recurso privado administrado pelo estado, do qual os trabalhadores são credores (FGTS) e fundos de pensão dos próprios trabalhadores da Petrobras, da Caixa Econômica e Banco do Brasil.
Se aceitasse o valor calculado pela Petrobras o objetivo de capitalizar seria facilmente alcançado com um ligeiro aumento do controle acionario, mas poderia ocorrer diminuição da participação, dependendo do apetite demais acionistas. Ora, é burrice aumentar a participação em uma empresa da qual a união já tem controle acionário. Basta mantê-lo. Quanto maior o valor da reserva menor a entrada em dinheiro por parte dos demais acionistas para completar o teto de 87 bilhões.
Em um mundo paralizado pela crise, o Brasil é o 3º mercado mais atrativo para investimentos dos PI e emergentes. As grandes reservas de petróleo estão nas mãos de empresas estatais em sua maioria se encontram nos dos países pobres. Empresas de petróleo ha muito estão em decadência nos países industrializados que não mais se interesam pela exploração de petróleo, coisa de país atrasado. O que mais lhes interessa é o fornecimento de tecnologia para exploração.
Países emergentes têm interesse em participar para garantir suprimento. A China, por exemplo, já adiantou 10 bilhões de dólares em empréstimo à Petrobras, garantido por contratos de fornecimento futuro de petróleo.
Durante muitos anos a Petrobras nunca atingiu o propósito para o qual foi criada. Quando o país mais necessitava de petróleo — para ter uma matriz energética diversificada — a Petrobras administrava o monopólio como empresa distribuidora de combustíveis refinados internamente, único exemplo no mundo de empresa monopolista de um produto importado. Só foi atingir a auto-suficiência quando já era uma empresa anciã de quase 50 anos. Externamente foi muito bem sucedida em encontrar petróleo em outros países, associada a outras multinacionais.
Coincidência ou não, não vem ao caso, depois de 1998, com a retirada do monopólio e abertura do capital a Petrobras se transformou numa empresa multinacional de sucesso — conceituada no mundo todo pela sua eficiência — com ações negociadas nas principais bolsas. Foi aí que descobriu o Pré-sal, associada a outras multinacionais.

Com um mínimo de capital imobilizado pela compra das reservas a União já é majoritária. Imobilizar mais capital com reservas supervalorizadas restringe a participação do capital privado em dinheiro.
A Petrobras, como empresa multinacional deseja um valor baixo para as reservas em torno de 30% do limite de 87, estabelecido pela assembléia dos acionistas. Um mínimo de 27 bilhões (~5 US$/barril) já garante maioria. O restante, 60 bilhões, seria o aporte em dinheiro dos demais acionista.
Se quizer manter a participação atual de 40% bastaria o aporte de 35 bilhões ( ~7 US$/barril) . O restante, 52 bilhões, seria o aporte em dinheiro dos demais acionista.

Composição atual: 40% estatal, sendo 32% diretamente, e 8% através do BNDES, igualmente uma empresa do estado, o que vem dar na mesma.
Com o valor de 8,51, o valor da reserva (42,5 US$bi) é tão grande que permite a união subscrever o que lhe cabe sem aportar nenhum centavo em dinheiro vivo. Se, por hipótese, todos os acionista exercerem o seu direito de preferência — estabelecido pela assembléia da Petrobras sobre o limite de 87 bilhões — caberia a união — no máximo — 35 bilhões (40% de 87 bilhões). Aos demais acionistas caberia o restante, ou seja, 52 bilhões e a operação de capitalização da Petrobras seria tranqüila.
Mas o governo — pressionado pelo ambiente eleitoral — quer aumentar a participação estatal e a capitalização fica comprometida.

Ante a perspectiva de subscrever o excedente de 10 US$bi os demais acionistas só poderiam subscrever 10 US$bi a menos em dinheiro, uma vez que o montante é fixo. Isso, se nada de extraordinário acontecer, como, por exemplo, a incapacidade dos pequenos investidores ou a desistência voluntária dos grandes, que já vem sendo manifestada pela venda das ações do multimilionário Soros.

Por outro lado é um valor que não condiz com a perda de interesse pela exploração em mar profundo, depois da demorada exposição do vazamento no golfo do México. Não condiz tambem com o fraco desempenho das ações da empresa em queda de quase 30% desde janeiro.

Sem aportar nada a União chega ao dia do lançamento com participação de 50%. Como o limite de 87 US$bi dificilmente será atingido, a união poderá chegar a data do lançamento com participação maior do que 50%.

Ante a possibilidade de utilizar o Fundo Soberano, a participação da União facilmente alcançará 60%. Ato final: o governo recorre às reservas para solucionar o impasse e adquirindo as sobras. Resta saber se existirá patriota em número suficiente para acreditar no retorno da estatização da Petrobras, colocando seu rico dinheirinho como acionista da grande empresa “orgulho do Brasil”.

Segundo Adriano Pires, o aumento da participação acionária e da disponibilidade de dinheiro da Petrobras, não pode ocorrer simultaneamente porque são objetivos conflitantes. A realização de um impede a do outro.
Se a intenção do governo for aumento da participação, a operação de lançamento é desnecessária. Basta realizar uma operação normal de mercado que acontece todos os dias, sem que a empresa tome conhecimento do fato. As ações apenas trocam de dono sem nenhum aporte de dinheiro para a empresa. Neste caso é o governo que aporta recursos em dinheiro do Fundo Soberano, Caixa e BNDES.

Se a intenção for aumento da disponibilidade de dinheiro, a operação de lançamento é necessária. Basta aceitar o valor calculado pela Petrobras — que conhece bem as dificuldades da extração — e a meta de capitalizar a empresa seria plenamente atingida. Neste caso, é o setor privado que aporta recurso em dinheiro e a composição acionária é mantida.

O que não pode acontecer é a manobra de “forçar a barra” com um valor excessivo do valor das reservas de 42,5 US$, que deixaria os demais acionistas de exercer seus direitos legítimos, sem opção de manter, caso o desejassem, a participação de 60% que desfrutam atualmente. Alem do mais representa uma atitude de profundo desrespeito para com os acionistas minoritários, inclusive os cotistas dos fundos de pensão e FGTS.

Não é possível saber “a priori” qual vai ser o interesse do capital privado no dia do lançamento, previsto para dia 30 de setembro. Nem se o limite máximo será atingido. Se o aporte voluntário dos demais acionistas for menor, a participação estatal aumenta na proporção inversa da desistência do acionista privado. Neste caso, existirão sobras que a União poderá, se quiser subscrever sem nenhum constrangimento para acionistas minoritários.

domingo, 15 de agosto de 2010

COMBUSTÍVEIS ECOLÓGICOS: TERMOELÉTRICAS SUPERSÍNCRONAS.

Acabou a galinha, acabou o resguardo.


Com raras exceções, toda forma de energia, a ser utilizada em larga escala no mundo todo, passará de uma forma ou de outra, pela queima de algum combustível. Produzir energia através de combustível se tornou a alternativa preferencial de todos os países diante dos custos elevados de outras formas de produção e a maior evidência da abundância desse recurso é o preço seja petróleo ou similar.
Nos países industrializados, a queima direta de petróleo é a forma natural de evitar os elevados investimentos em energia nuclear, imprópria para fins de aquecimento. Nos países em desenvolvimento a utilização de termoelétricas é a forma preferencial de evitar o custo ambiental e os elevados investimentos em grandes usinas hidroelétricas e linhas de transmissão. Nem a energia nuclear -- esperança do futuro -- escapa das limitações impostas pelo segundo princípio da termodinâmica, assim como a energia hidroelétrica não escapa do processo físico da transformação em regime de baixas velocidades. As limitações decorrem de princípios físicos que regem a transformação: “processo termodinâmico” no primeiro caso e “regime de velocidades” no segundo. Não há como violar estes princípios básicos sem aumento de custos, nos dois casos.
A classificação “renovável” atribuída à energia potencial hidroelétrica, em contraposição ao combustível como recurso limitado, não leva em conta o fato de que são grandezas distintas. Uma, o petróleo, é um estoque de energia, cujo montante é desconhecido, enquanto a energia potencial é uma parcela atual de energia, renovada continuamente, mas cujo montante, bem determinado, se esgota rapidamente com a utilização dos saltos potenciais disponíveis. Não é acumulável e nem comporta acréscimos, o que torna a energia potencial um recurso muito mais limitado que o combustível. Não leva em conta tambem o fato de o combustível ser tambem uma forma de energia que pode ser “renovada” pela ação do homem em quantidade expressiva, limitada apenas à quantidade de terra disponível. Ao cultivar plantas energéticas como cana e florestas artificiais o homem exerce um efeito benéfico sobre o meio ambiente, repondo, de certa forma, aquilo que foi subtraído pela sua ação predatória do passado. Isto mostra que o combustível é uma fonte infinitamente mais abundante que a energia potencial disponível e a maior evidência desse fato é o preço atual dos combustíveis, tanto petróleo como combustível alternativo.
Outro fator não considerado nas análises de alternativas se relaciona ao custo ambiental e econômico propriamente dito. Não leva em conta, por exemplo, que o combustível cultivado é muito menos agressivo ao meio ambiente do que hidroelétricas pela garantia antecipada de saldo negativo de emissão de gases do efeito estufa. No aspecto econômico a vantagem da utilização do combustível em termoelétricas é muito mais significativa em razão do “regime de velocidade” em que a transformação se processa. Apesar de menos eficiente no aspecto termodinâmico, esta desvantagem é largamente compensada pela transformação em rotação padrão de 60 Hertz. As demais fontes potenciais disponíveis, inclusive eólicos e de marés não têm limitação física, mas estão sujeitas aos custos elevados da transformação sob regime de baixíssimas rotações, da ordem de 1 a 4 Hertz.
Fundamentos:
A maneira mais eficaz de produzir calor é através da queima direta de combustível e, não por coincidência, o aquecimento é a maior demanda dos países industrializados de clima frio (58% nos Estados Unidos). Portanto, é de se esperar que o consumo de petróleo pelos países industrializados continue elevado. Não há nada de errado em utilizar combustível barato para fins de aquecimento (petróleo e combustível líquido). O irracional seria utilizar energia nuclear e alternativa mais cara inadequadamente. Protelar alternativas caríssimas é uma atitude coerente.
O modo mais barato de produzir trabalho mecânico é através da utilização dos potenciais hidroelétricos e a energia de acionamento é a maior demanda dos países em desenvolvimento (50%). Não é, por acaso, que os últimos potenciais inexplorados se encontrem nos países em desenvolvimento (700 GW). Portanto, é de se esperar que o consumo de combustível pelos países em desenvolvimento continue elevado. Não há nada de errado em utilizar combustível barato em termoelétricas para fins de acionamento. O grande perigo é incorrer nos mesmos erros do passado quando foram feitos vultosos investimentos centrados em grandes projetos hidroelétricos.
O transporte, maior consumidor de combustível, é a segunda maior demanda dos países industrializados (34%) e a primeira dos países em desenvolvimento (50%). No entanto, o mundo todo continua utilizando o motor à explosão, um meio bastante ineficiente de produzir energia de acionamento. Ironicamente, o aquecimento solar direto, que é, sem dúvida, a melhor forma de produzir calor, não está plenamente disponível para os que dele mais precisam: os países de clima frio. Nos países tropicais, é desnecessário.
Os fatores determinantes do custo da energia são o “processo termodinâmico” e o “regime de velocidade” em que as transformações se processam. O primeiro rege a transformação de calor e o segundo rege a energia de acionamento. Vejamos como as diferentes formas de suprimento se comportam perante estes dois fatores:
Em primeiro lugar, quase todos os potenciais hidroelétricos no mundo todo já foram utilizados, em razão da sua evidente economicidade. Passaram pelo processo de “seleção natural” e, hoje, são raridade. A usina de Três Gargantas, em construção na China talvez seja uma das últimas hidroelétricas de baixo custo em todo o mundo. Com 185 metros de altura e rotação de 9 Hertz, tem custo inferior a qualquer usina brasileira. Jupiá, uma das mais caras, com queda de 20 metros e frequência de três Hertz, é visivelmente lentíssima.
No Brasil as possibilidades são ainda mais remotas. Os potenciais da Bacia Amazônica, vistos como promissores, devem analisados com cautela, pois são potenciais de baixa queda e grande vazão, característicos das regiões de planície, altamente hostis ao meio ambiente e com os altos custos inerentes (cerca de 3000 US$ /kW), em tudo semelhantes àqueles de Jupiá e jusante, no Rio Paraná.
As hidroelétricas atuais são limitadas fisicamente pelo relevo, tanto do ponto de vista econômico como ambiental e as termonucleares são custosas devido ao processo de transformação (cerca de 3000 e 6000 US$/ kW respectivamente).

São condições geográficas que determinam o fraco desempenho dos grandes potenciais da região amazônica, tanto do ponto de vista ambiental como econômico. Pequenos desníveis criados para geração de energia elétrica implicam em grandes reservatórios, agressivos ao meio ambiente. Do ponto de vista econômico, a transformação se opera em regime de baixas velocidades, o que implica maiores custos de barragens e vertedores, alem do maior custo dos equipamentos, turbina e gerador e extensas linhas de transmissão.

O fato de termos construído, no passado, as custosas usinas hidroelétricas do Rio Paraná, pelas quais pagamos alto preço, não constitui motivo para incorrer nos mesmos erros. As condições se repetem de maneira inteiramente semelhante às dos anos 80 quando os recursos financeiros dos países pobres do mundo estavam sendo transferidos para os industrializados. Em 80 as transferências ocorriam por conta das dívidas sobrevalorizadas, agora são nossas reservas que correm risco. Mas não somos obrigados a cair na mesma cilada das altas taxas de juros e baixo preço das comodities, incluindo petróleo e etanol.
Em segundo lugar: termonucleares podem ser discutíveis por motivos de segurança, mas o processo inicial em si é eficiente e limpo, inclusive para destruir, infelizmente! Mas sua utilização se torna inadequada para aquecimento por motivo dos altos custos inerentes ao processo subseqüente da transformação indireta do calor em calor, condicionada ao segundo princípio da termodinâmica, como uma termoelétrica convencional a vapor d’água. O “processo termodinâmico” é inadequado.

Em terceiro e último lugar, queimar petróleo é um desperdício -- ou forma predatória de utilização de um recurso valioso e insubstituível como fonte de aquecimento -- simplesmente porque é barato, quando podem ser encontrados combustíveis líquidos mais simples, derivados da cana e celulose, que substituem suas propriedades puramente energéticas.
O petróleo é um produto sui generis, de mais larga utilização em todo o mundo em razão do multiuso dos inúmeros produtos valiosos que resultam de sua destilação. Explorar petróleo como matéria prima de exportação constitui um procedimento pouco inteligente, posto que, o petróleo é uma comodity como outra qualquer, cujo preço, 40 centavos de dólar o litro, é pouco superior ao da soja pronta para o consumo. Exportar petróleo bruto é como exportar comodities ou minérios, inclusive o etanol. O que realmente produz riqueza e desenvolvimento é a destilação do petróleo, uma das indústrias mais lucrativas do mundo, fonte de inúmeros conflitos e disputas políticas. O procedimento mais inteligente é exportar a tecnologia e maquinário de produzir etanol e usar combustíveis para geração de energia elétrica mais barata e de forma mais ecológica, em lugar de exportar combustíveis.
. Uma alternativa promissora, para países que dispõem de combustíveis alternativos e petróleo, como o Brasil, é a ”estocagem do petróleo” para utilização futura, quando novas tecnologias estiverem disponíveis. Neste caso, a melhor forma de estocagem é a “não exploração” dos poços conhecidos.
O petróleo é um produto valioso para ser queimado, simplesmente porque continua barato, mas, países de clima frio não têm alternativa visível para aquecimento (cerca de 40% de todo consumo mundial de energia), senão a queima de combustível. Consumirão preferivelmente petróleo barato em lugar da energia nuclear (8000 Us$/ kW), cuja construção estão protelando. O consumo para aquecimento nos países de clima frio é mais econômico por utilizar a parte positiva da transformação, através da queima direta do combustível.
Por outro lado, utilizar potenciais de região de planície é uma forma de agredir o meio ambiente e, sobretudo antieconômico. Queimar combustível líquido em termoelétricas para produzir trabalho mecânico é uma forma ecológica e mais econômica do que em novas hidroelétricas.




CONSIDERAÇÕES AMBIENTAIS

Outro fator não considerado nas análises de alternativas se relaciona ao custo ambiental e econômico propriamente dito. Não leva em conta, por exemplo, que o combustível cultivado é muito menos agressivo ao meio ambiente do que hidroelétricas pela garantia antecipada de saldo negativo de emissão de gases do efeito estufa. No aspecto econômico a vantagem da utilização do combustível em termoelétricas é muito mais significativa em razão do “regime de velocidade” em que a transformação se processa. Apesar de menos eficientes no aspecto termodinâmico, esta desvantagem é largamente compensada pela transformação em rotação padrão de 60 Hertz. As demais fontes potenciais disponíveis estão restritas a transformação sob regime de baixíssimas rotações da ordem de 2 a 4 Hertz, características dos últimos recursos potenciais disponíveis o que impõe custos elevados de equipamentos, barragens, vertedores, casa de força, sobretudo extensas linhas de transmissão do atual sistema interligado, padronizado e sincronizado de frequência, de difícil gestão.

--Porque as termoelétricas têm baixo custo fixo? O conceito chave da eficiência está relacionado com a velocidade: por serem velozes são econômicas, tal qual as modernas turbinas de avião.
Termoelétricas projetadas para funcionar em 60 Hertz poderiam funcionar em frequência maior, digamos 120 Hertz, quando acionadas por uma turbina de avião a 7200 RPM. Os benefícios seriam enormes, posto que, em princípio, forneceriam potência dobrada com o mesmo gerador. Entretanto, o conjunto precisa ser reprojetado para contemplar as novas condições de funcionamento, sobretudo maior ventilação, para dissipação das perdas decorrentes da maior potência concentrada em dimensões reduzidas. Este arranjo resulta numa combinação de alta tecnologia de fabricação de turbinas com geradores de frequência superior a 60 Hertz, muito mais eficiente do que as volumosas e lentas usinas hidroelétricas.
--Aos atuais preços do petróleo de 40 Centavos de Dólar o litro e taxa de juros de 12% ao ano, praticado pelo mercado, já são possíveis térmicas mais baratas do que as hidroelétricas da Amazônia.
Termoelétricas não contemplam apenas a necessidade conjuntural do presente, mas permitem adiar investimentos vultosos em um sistema interligado que pode se tornar ocioso para interligar apenas as poucas usinas hidroelétricas de um potencial em fase final de aproveitamento. Nem ao menos sabemos se vale a pena ampliar o atual sistema interligado para abranger apenas umas poucas hidroelétricas e que perderá a função em um novo mundo descentralizado, depois da crise atual. Qual vai ser a configuração futura do sistema interligado diante das profundas mudanças do mundo globalizado?
Termoelétricas permitirão reparar, de certa forma, o erro de perpetuar um sistema baseado em fonte única. As hidroelétricas atuais ficariam liberadas do “critério de risco” nos períodos prolongados de seca. É mais razoável economicamente correr risco com termoelétricas nestes períodos por terem custo de capital menor e, portanto, mais aptas para permanecerem ociosas em períodos chuvosos.


CONCLUSÕES:

O baixo nível de atividade econômica, prevista com a recessão no mundo todo, privilegia as térmicas como solução provisória, que adia investimentos altos em hidroelétricas, no presente, aproveitando as boas condições de preço dos combustíveis atuais. Alem disso os maiores gastos de combustível ocorrerão a prazo, enquanto os custos de capital com hidroelétrica ocorrem no ato da decisão, portanto irreversíveis.
A fase dos grandes empreendimentos hidroelétricos está chegando ao fim em todo o mundo. Depois de utilizados os potenciais de baixo custo o ambiente se assemelha a um final de festa. A nova fase do suprimento de energia será, inelutavelmente, de origem térmica (convencional ou termonuclear). A pretensa abundância de potenciais na Bacia Amazônica não deve levar à repetição de projetos que hoje se mostram inviáveis pelo alto custo do dinheiro (taxa de juros). Esta é a imagem atual do Sistema Elétrico Brasileiro: O potencial da Amazônia não é o que parece. Se de fato fossem baratos, já teriam sido aproveitados.

--Suprir energia através de termoelétricas a combustíveis líquidos e gasosos, provenientes da cana e madeira é a alternativa promissora do momento, especialmente nas condições atuais de taxas de juros perto de 12% ao ano, praticadas pelo mercado, e preços do petróleo na faixa de 40 centavos de dólar o litro.
--Aproveitar o programa do álcool, que custou tanto sacrifício, para que o setor sucroalcooleiro não seja penalizado é a providência mais urgente, especialmente depois dos altos investimentos já realizados. Mas, sem dúvida alguma, a grande economia no suprimento de energia vai provir da “mudança de rumo” no que respeita à composição das fontes de suprimento de energia, ou seja, a utilização das termoelétricas, no sentido de potencializar as atuais fontes, de origem quase que exclusivamente hidroelétrica, e dos novos vetores energéticos: combustíveis líquidos e gasosos que farão funcionar as novas termoelétricas. Estes “novos rumos” fazem parte das estratégias de uso-final da energia, conforme preconizado pelo relatório premiado de José Goldenberg: produção sob novas formas (térmicas) para uso-final da energia.

Em última análise, o suprimento de energia por termoelétricas a combustível (líquido ou mesmo gás de petróleo) é uma alternativa que acompanha o desenvolvimento de tecnologias modernas no sentido de maiores velocidades em todos os setores Todo esforço do empreendimento humano tem sido no sentido do aumento constante da velocidade, que constitui a tendência marcante do mundo moderno. Esta tendência é evidenciada pelas modernas turbinas dos jatos supersônicos, da incrível velocidade de escape dos foguetes, dos aparelhos de corte de cerâmica, das atuais brocas de dentista, dos automóveis e carros de corrida e, sobretudo, pelo aumento crescente da velocidade da informação. Assim como o mundo todo se desenvolveu graças ao aumento da velocidade da informação, o desenvolvimento correlato do setor secundário ocorre pelo crescimento da velocidade industrial das máquinas e conseqüente aumento da velocidade e rotação dos aparelhos produtores e consumidores de energia.
. O setor da produção energética, entretanto, persiste no emprego de hidroelétricas lentíssimas e volumosas (Jupiá, com 3 Hertz e 20 metros de diâmetro), termonucleares tecnicamente inadequadas e caríssimas (8000 US$/ kW), termoelétricas consumidoras de petróleo, etc. Se já existem turbinas velozes para avião, alimentadas por combustível líquido, por que não podem ser utilizadas para acionar geradores baratos em frequência de 60 Hertz?
Termoelétricas a combustíveis líquidos custam apenas 500 US$/kW instalado (dólares de 1960) e podem vir a custar menos com as pesquisas. Alem disso podem ser descentralizadas, não requerendo custosas linhas de transmissão nem reservatórios.
A provocação contida no título deste trabalho é uma forma de chamar atenção para o uso de termoelétricas mais velozes em substituição às hidroelétricas lentas.

sábado, 31 de julho de 2010

CRÔNICA DE UMA TRAGÉDIA ANUNCIADA

Enviado por Hugo Siqueira em 02/06/2010
— Efeito do furacão Katrina sobre diversas cidades do vale do Mississipi.

Com a abertura da temporada de furacões no golfo do México, desastres de grandes proporções são iminentes se conjugados com o derramamento de óleo que a BP não consegue estancar. Pode significar "um balde d’água fria" nas pretensões do planalto: a turma do Pré-sal que "ponha as barbas de molho" que logo virão interdições. Para testar a tão falada experiência da Petrobras é bem possível sejam convocados pra dar u’á mãozinha.

"A Guerra do Pré-sal"
Enviado por Alberto Porem Junior, dom, 13/06/2010 - 12:13
"Efeitos do desastre" antecipo que nas entrelinhas está delineada a próxima guerra: " A guerra do Pré-sal" a ser levada a cabo pelos E.U.A ainda nesta década.
Comentários:
Não deixa de ser apropriada a observação do Alberto, "porém" a antecipação soa um pouco alarmista: os danos à imagem da Petrobras (e BP) já ocorreram com a queda do valor das ações de cerca de 1/4 do valor desde janeiro, fato que motivou a postergação do lançamento de novas ações na bolsa de Nova York para depois de setembro, quer dizer, para depois da posse do novo presidente. Até lá os planos serão outros, claro.

Ganhos eleitorais, isto sim, já estão sendo contabilizados. Uma "guerra do Pré-sal", à 300 Km da costa brasileira é tão extemporânea quanto a "Guerra da Malvinas" ou a reativação da "4ª frota" que os nacionalistas tanto temem.

A exposição continuada de informações sobre o vazamento gera um clima de pânico que dificulta a continuação da prospecção em mar profundo e representa um duro golpe nas pretensões do Pré-sal com vista às próximas eleições.

“Vazamentos acontecem na melhores empresas” dos mais diversos países e passam despercebidos porque são eventos raros e evitáveis. Não são mais freqüentes do que os acidentes naturais que não podem ser contidos como furacões, terremotos e erupções vulcânicas.

Mas o que desperta polêmica e torna o acontecimento particularmente relevante é a circunstância de o vazamento ocorrer numa região densamente povoada junto à costa americana, tradicionalmente sujeita a fenômenos naturais de maior probabilidade ou quase previsíveis.

No interior do golfo cerca de mil outras plataformas continuam operando normalmente, apesar do vazamento em uma delas (da BP). Quatro mil outras permanecem abandonadas aguardando destino: provavelmente algumas serão transformadas em hotéis de luxo para evitar a explosão.

No caso de prospecção em mar aberto — a exemplo do Pré-sal — a probabilidade é igualmente pequena, mas os danos de um possível vazamento são infinitamente maiores em distância próxima a 300 km da costa. Arrastado por correntes marítimas o vazamento produz efeitos globais alastrando para uma área muito maior do que o ambiente confinado do golfo do México e gerando conflito semelhante à proliferação nuclear.
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A moratória constitui uma pausa natural para estabelecimento de normas mais rigorosas de regras e procedimentos a serem submetidas as empresas. Governos da União européia e dos Estados Unidos suspendem operações até que novas condições sejam estabelecidas. Aqui se fala até do “Pré Sal no limbo” e de uma “Guerra ao Pré Sal”, presença da 4ª frota, que, no mínimo soa tão extemporâneo quanto “a Guerra das Malvinas”.

A fiscalização, doravante, será redobrada mesmo com o vazamento contido. Achamos que no futuro — quando normas mais rigorosas forem estabelecidas com a anuência dos países produtores — a exploração do Pré-sal seja compartilhada e não centralizada na Petrobras como pretende o marco regulatório.

Ao dar início à exploração em áreas conhecida da bacia de Campos o governo dá sinais claros de que a capitalização da Petrobras será assunto para o próximo governo. O Brasil poderá aproveitar os baixos custos das plataformas offshore-tornadas ociosas pela moratória dos Estados Unidos e Noruega — para acelerar a exploração de áreas delimitadas da bacia de Campos, deixando para mais tarde as incertezas e os altos custos de prospecção em mar profundo.

O gás resultante da exploração é um subproduto da exploração do petróleo que poderá alimentar o gasoduto Brasil Bolívia em sentido inverso para dois propósitos: acionar termoelétricas de complementação, substituindo térmicas convencionais; abastecer rede de gasodutos em todo o país para indústria que utilizam gás em “calor de processo” (vidros, cerâmica e alimentos).

A essa altura dos acontecimentos o sucesso da contenção do vazamento não apaga a lembrança do impacto causado pela longa exposição na mídia. Se existem vantagens pela maior oferta de sondas mais baratas — ociosas no golfo do México — deve ser levado em conta que outros custos de exploração serão onerados em conseqüência do desastre, inclusive seguros.

É óbvio que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Bicombustível (ANP) tem de exercer, com a maior firmeza, sua ação reguladora e fiscalizadora e que a Petrobrás e as empresas que trabalham com plataformas offshore no Brasil terão de passar por um longo e custoso aprendizado.

Alguns analistas chegam a falar em possíveis vantagens para o Pré Sal brasileiro resultante da queda no preço de equipamentos (sondas, navios, etc.) provocados pela moratória. Mas se esquecem que “O problema é essencialmente ambiental e terá um grande impacto nos custos da atividade de exploração em águas profundas, inclusive com a alta dos prêmios de seguros.”

O petróleo continuará sendo explorado, dado a sua importância estratégica e o valor que representa para o suprimento de energia de aquecimento nos países frios (cerca de 60%) e do transporte e produção de comodities nos países em desenvolvimento (cerca de 50%), alem do valor que tem para a produção de inúmeros bens industriais.

“Repercussão do vazamento pode trazer danos a estratégia ufanista. O risco é que ganhe corpo o tom ambiental beneficiando a candidatura Marina. Governo e Dilma tem de moderar o discurso: “Em casa de enforcado não se fala em corda”. O capital político começou a ser desfeito com a polêmica em torno da repartição dos royalties, do qual dificilmente os governadores podem abrir mão. Se for aprovada desagrada uns e se vetada outros. O plano eleitoral costurado por Lula e Dilma envolve situação irredutível nos 4 aspectos: regime de partilha, estatal do pré sal, fundo social e cessão de 5 bilhões para capitalização da Petrobrás.
Por Emanuel Cancella (*) em 07/06/2010

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